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Etnobotânica: um elo entre a medicina tradicional e a ciência

Gabriela Moysés
23 de maio de 2024
Revisado por Leopoldo C. Baratto

Você já refletiu sobre como eram realizados os tratamentos das doenças em tempos remotos? Se hoje em dia, em muitas regiões do nosso país já há uma enorme dificuldade em conseguir um tratamento médico eficiente, como será que era no passado? Como será que os nossos ancestrais sobreviveram às doenças da época? O que faziam para tratar suas enfermidades e para se proteger de doenças? A principal resposta para esses questionamentos é uma só: plantas medicinais. O homem usava a natureza para cuidar de sua saúde!

Tais questões podem ser respondidas com mais detalhes ao adentrarmos na área da etnobotânica, ciência que estuda a interação da planta com o ser humano ao longo da história e o modo como as plantas são utilizadas pelas comunidades.

Conhecimentos da etnobotânica auxiliam em pesquisas que visam o desenvolvimento de novas substâncias para serem usadas em benefício da saúde. Afinal, grande parte do que hoje usamos como medicamentos, partiu de dados obtidos de comunidades tradicionais que faziam uso da flora em seu cotidiano. Dessa forma, a etnobotânica é a ciência que faz o elo de ligação entre as comunidades que faziam e fazem uso da medicina tradicional com a ciência.

Muitos povos nos deixaram como herança conhecimentos sobre plantas medicinais. Há mais de dez mil anos atrás, os ameríndios já usavam a natureza com finalidade terapêutica, inclusive, várias substâncias bioativas, utilizadas como medicamentos hoje,  foram descobertas a partir do conhecimento deles. Um exemplo é a pilocarpina, obtida das folhas de Pilocarpus spp. e a quinina encontrada em cascas de Cinchona spp., tais substâncias possuem indicação para serem usadas no tratamento de glaucoma e malária, respectivamente.

Durante o Brasil colonial, por indicação dos indígenas, os europeus que chegaram às terras brasileiras também usavam produtos oriundos de nossa flora, como exemplo, a oleorresina de copaíba. Devido ao seu poder anti-inflamatório e cicatrizante, os indígenas usavam a copaíba para curar ferimentos e também no umbigo  de recém-nascidos. Os africanos escravizados também faziam uso de diversas espécies vegetais, como Petiveria alliacea, Hibiscus sabdariffa e Pereskia aculeata.  Nas senzalas, havia mulheres que atuavam como curandeiras, usando ervas para tratar as enfermidades dos escravizados. Além disso, muitas plantas também eram usadas em rezas e benzeduras.

As figuras dos curandeiros e parteiras eram comuns em tempos remotos. Os primeiros tratavam diversas doenças fazendo uso de plantas medicinais nativas. As parteiras, por sua vez, tinham conhecimentos sobre espécies vegetais que auxiliavam na contracepção e aborto, assim como nos cuidados antes e após o parto. Relatos indicam que durante os partos feitos por parteiras africanas era comum a realização de rituais que envolviam amuletos, rezas, encantamentos e ervas.

Dos tempos antigos até a atualidade, o uso de plantas medicinais continua presente nas nossas vidas. Seja por meio de um chá, inalação, emplastro, xarope ou uso de um medicamento comercial fitoterápico. Você com certeza já teve a experiência de usufruir dos benefícios de um produto natural terapêutico e essa prática vinda dos nossos antepassados, de certa forma, nos conecta a eles e nos ensinam a valorizar nossas raízes e nosso passado.

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