Este site pertence a Leopoldo C. Baratto, fundador e coordenador do PlantaCiência. 2019.
top of page

Espinheira-Santa, Capim-Limão e Lípia: Fitoterapia na Amostra Brasil Aqui Tem SUS!

Ana Carla Prade
20 de julho de 2023

Todos os anos, há 18 anos, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) realiza um grande congresso para discutir as políticas públicas de saúde, a garantia constitucional à saúde e para discutir as temáticas que envolvem os processos do maior sistema público de saúde do mundo, o nosso SUS. No congresso também ocorre a amostra “Brasil, Aqui Tem SUS”, espaço onde as equipes de saúde dos municípios brasileiros, que passaram por uma seleção prévia na etapa estadual, apresentam suas experiências exitosas nos diversos âmbitos da saúde pública. São experiências que versam sobre Atenção Primária, ampliação do acesso, imunização, controle social, assistência farmacêutica, práticas integrativas e complementares, enfim, é a oportunidade de apresentarem seus trabalhos e práticas inovadoras para o Brasil. O congresso de 2023 foi realizado no município de Goiânia-GO entre os dias 16 e 19 de julho.


Como farmacêutica do SUS e uma defensora do uso qualificado da fitoterapia, tive a oportunidade de estar presente neste congresso e apresentar dois trabalhos relacionados à plantas medicinais, trabalhos este que foram escolhidos entre mais de 500 experiências na etapa estadual de Santa Catarina. Mantendo a linha da minha coluna aqui no “Planta” (dê uma olhada na minha coluna anterior), acredito que só avançaremos com a fitoterapia no SUS quando treinarmos os profissionais de saúde para prescreverem os fitoterápicos. É notória a necessidade de um protocolo orientador para as prescrições, uma vez que a maioria dos profissionais não são familiarizados com as plantas nem com a forma de inseri-las em um esquema terapêutico.


Na 18ª amostra “Brasil, Aqui Tem SUS” nosso município apresentou dois trabalhos envolvendo as plantas medicinais e protocolos de prescrição, cujos títulos são: “Farmácia Viva e CAPS: Protocolo de Fitoterapia como Ferramenta de Cuidado em Saúde Mental” e “Protocolo de Retirada Gradual dos Inibidores da Bomba de Próton com a Maytenus ilicifolia – Espinheira-Santa”.


O primeiro trabalho, utilizando protocolo de fitoterapia em saúde mental, foi desenvolvido a partir da necessidade de prestar suporte aos usuários que procuravam o atendimento no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e que aguardavam os encaminhamentos (psicólogo, psiquiatra ou terapias em grupo). Estes pacientes eram acolhidos (e continuam sendo) e conforme sua classificação na estratificação de risco em saúde mental (uma ferramenta utilizada para determinar a gravidade da situação) o protocolo de fitoterapia era aplicado. As duas espécies utilizadas foram Cymbopogon citratus(capim-limão) e Lippia alba (melissa falsa, cidreira-de-galho). O protocolo auxilia, através de um fluxograma, o profissional a escolher qual das duas espécies é a mais adequada ao paciente, pois leva em consideração a sintomatologia, os possíveis medicamentos utilizados e as contraindicações de cada espécie. Estas duas plantas foram escolhidas por constarem no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira 2ª edição e por terem indicação para ansiedade e insônia leves, adequando-se às expectativas do protocolo.


O segundo trabalho, utilizando a Maytenus ilicifolia para retirada gradual dos inibidores da bomba prótons (o conhecido medicamento omeprazol e sua família), relata a aplicação de um protocolo de uso do decocto da espinheira-santa e a retirada lenta do medicamento. Importante dizer que este trabalho foi um relato de experiência e que os pacientes foram acompanhados durante o processo. Muitas pessoas utilizam estes medicamentos há anos, sem uma indicação definida. Após passar por uma consulta da unidade de saúde, estes pacientes eram encaminhados para o atendimento em fitoterapia para o uso da espinheira santa com intuito de retirar o medicamento. Neste atendimento, realizado no consultório farmacêutico do Farmácia Viva, o protocolo era aplicado e o paciente saia da Unidade com a sua prescrição, com a espinheira-santa (na forma de droga vegetal) e com todas as orientações sobre como fazer a decocção, com dose, modo de preparo e tempo de uso.


É extremamente gratificante apresentar para os colegas do SUS de todo o Brasil o que pode ser realizado com a fitoterapia. Temos muitos desafios pela frente, principalmente na questão do financiamento regular e do incentivo continuado às Farmácias Vivas. Mas assim como nossas mestras, as plantas, somos profissionais fortes e continuaremos lutando, apresentando nossos trabalhos e fortalecendo o cuidado com o auxílio da “fito”. Em breve as apresentações estarão no YouTube e terei o enorme prazer em trazer aqui para vocês. Até a próxima!! AbraSUS!!

Colunas - Slideshow
bottom of page